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Experimente: Daniela Lasalvia




Daniela Lasalvia, mais conhecida como Dani Lasalvia, é uma artista multifacetada, além de cantora e compositora, é instrumentista, produtora, programadora visual e animadora cultural. Sua carreira musical inicia-se precocemente, aos sete anos já estudava piano e se apresentava em diversos recitais e concursos. Na adolescência, estudou canto lírico e percussão vocal/corporal. O gosto pelo canto lírico se estenderia por tempo mais tempo, o que a levou a estudar no Conservatório Tchaikovsky, em Moscou. Voltando ao Brasil, inspirada pela obra do músico e multi-instrumentista mineiro Dércio Marques, a cantora, natural de São Paulo, passou a desenvolver um trabalho de resgate e valorização da cultura popular. Além de seu trabalho solo, Dani é integrante do grupo musical brasileiro Vozes Bugras, no qual desenvolve uma trabalho belíssimo ao lado de Cássia Maria, Anunciação, Anabel, Celia Gomes, Ully Costa, Lucimara Bispo, no qual resgatam, através da música, contos, cantos, ritos, mitos e lendas da tradição oral mundial.



Entrei em contato com a obra de Dani Lasalvia por meio do meu companheiro, André Jambo, em meados de 2008, e como acontece a qualquer um que ouça a doce voz dessa cantora, me apaixonei, desde então não deixo de ouvir. Sua voz melódica desliza docemente ao longo dos belos acordes de suas canções, é sempre um prazer auditivo ouvi-la. Suas letras são de uma primazia invejável, além de desnudarem muito de um Brasil anônimo. Como intérprete, Dani faz uma parceria com o compositor da canção, visto a singularidade, originalidade e transcendentalidade de sua interpretação. Uma artista completa.




Dani é uma das maiores entusiastas da cultura/tradição indígena no Brasil, desenvolve um trabalho de resgate do Tupi, trazendo para suas canções toda a beleza do idioma nativo de nosso país. Como animadoras cultural, trabalhou com projetos filantrópicos que levaram oficinas de música e arte às comunidade carentes de São Paulo. Produziu shows de grandes nomes da música popular brasileira, a exemplo de Renato Teixeira, Xangai, Chico César, Ceumar, e Tetê Espíndolla, além de ser a idealizadora do projeto Brasil Arte - A Arte Brasileira de Ser Artista.

Sua primeira aparição profissional foi em 1996, apresentada por Dércio Marques, o que abriu as portas para participações em show de Vidal França, José Gomes, José Eduardo Gramani, dentre outros. Fez participações especiais em diversos discos de artistas brasileiros, em como de coletâneas nacionais.




“A voz aguda e afinadíssima de Daniela Lasalvia vem aspirada, um sopro de brisa, uma sugestão de paz. Seu trabalho de composição inspira sensação semelhante, agora de forma explícita: um convite à harmonia com a natureza, o olhar carinhoso para o mundo das coisas palpáveis - os bichos, as árvores, os cursos d'água. O sotaque da autora e cantora paulista é interiorano, rural, sotaque de quem vive o que compõe e canta”, palavras do crítico musical Mauro Dias sobre a cantora.




A discografia de Dani Lasalvia não é extensa, no entanto é muito rica e completa, possui apenas um disco gravado, em sua carreira solo, o Madregaia, lançado em 2007, um registro do show ao vivo homônimo, resultado de sua parceria com Dércio Marques, que assina a direção musical.  Em Madregaia, cantora/compositora presa por um repertório plural, da MPB a World Music, passando por blues, fados e outros estilos, com influências regionais.

Fico muito triste em saber que o Brasil possui muitos e grandes artistas, mas que se mantêm num certo anonimato, pois não atendem às demandas do mercado fonográfico, cada vez mais massificador e homogeneizante. Porém, fico feliz em poder dividir com meus leitores esse achado, e ter a possibilidade de trazer ao conhecimento de mais pessoas o talento, a sensibilidade e a musicalidade de Daniela Lasalvia.





Egberto Vital
08 de fevereiro de 2012

Experimente: Jamie Cullum



Nascido na cidade de Essex, na Inglaterra, no ano de 1979,  e criado em Wiltshire, Jamie Cullum tem se tornado uma referência do Jazz contemporâneo.

Críticos e entusiastas o têm considerado uma das melhores aquisições da música no século, por sua capacidade incrível de composição, bem como à maneira como Cullum tem ressignificado clássicos do gênero atribuindo-lhes novas roupagens com uma interpretação muito singular.



Além de cantor e compositor, Cullum se destaca por ser um exímio instrumentista. Iniciou sua carreira profissional em 1999, mas já se coloca como um veterano no universo da música.

O jeito despojado e excêntrico faz de Jamie um crooner fora dos padrões, vestido de calça jeans e tênis nos pés, ele chama atenção, também, pelo seu estereótipo avesso aos padrões dos crooners clássicos.


Conheci esse cantor por acaso, procurando algumas canções e cantores de Jazz no Google, me deparei com uma reportagem que comentava sobre um tal “Frank Sinatra de All Star”, o título da reportagem já me chamou a atenção, quando ouvi “o menino” fiquei embasbacado, era realmente um grande intérprete, logo depois descobri que também é compositor, o que aguçou ainda mais a minha curiosidade acerca do rapaz, então procurei suas canções na internet e me tornei, vamos dizer assim, um fã.




Sua maneira de interpretar é de uma peculiaridade curiosa, ele meio que faz um Jazz Pop, mas sem desconfigurar o gênero, pelo contrário, ele agrega. Tomadas as devidas proporções, tive com ele a mesma impressão de quando ouvi Amy Winehouse, uma maneira de fazer do clássico o escopo de uma obra contemporânea, sem incorrer no erro da “midiotização”.

Seu primeiro álbum Heard It All Before, de 1999, teve uma tiragem incial de 500 cópias, pois sua produção foi feita de maneira independente, quando o cantor ainda tinha 19 anos de idade. O sucesso do álbum levou o jovem artista a participar da coletânea Geoff Gascoyne Songs of the Summer.




Estudou Literatura, Cinema e Teatro na Reading University, formou-se em 2001. Em 2002 Jamie Cullum lançou o seu segundo álbum, o célebre Pointless Nostalgic, que trouxe a visibilidade que o jovem cantor precisava. Em 2003 assinou contrato com Universal Records e lançou o seu terceiro álbum Twentysomething, que conquistou a incrível marca de disco de platina, uma grande conquista, uma vez que o mercado fonográfica está em crise. Cullum se tornara, com isso, o artista de Jazz que mais vendeu no Reino Unido.

Em 2005, Cullum lançara seu quarto álbum, Catching Tales, já consolidado como um dos maiores artistas de Jazz do mundo, o sucesso foi inevitável. Sucesso de crítica e vendagens, em 2009 o cantor lançou The Pursuit, que agregou maior densidade a sua obra.

Jamie Cullum é daqueles artistas que seguem uma progressão na carreira, não é apenas mais um rapaz tentando fazer Jazz, pelo contrário, ela (re)faz o Jazz. É, sem dúvida, uma das maiores promessas da música mundial, diria até que ultrapassou o sentido da promessa, e já se instaurou como um dos grandes nomes da música, por sua versatilidade, sua técnica, sua emoção e sua genialidade enquanto artista.




Diria que Jamie ao interpretar uma música de outro artista, não fica apenas na superficialidade de fazer um cover, mas ele compõe sobre aquela música, ele é um verdadeiro intérprete.

Fico feliz de poder indicar mais um bom cantor para vocês. Espero que vocês se deliciem com essa belíssima voz e com toda essa musicalidade que Jamie Cullum traz em sua obra.




Egberto Vital
04 de fevereiro de 2012

Experimente: Nerina Pallot

Olá! Caros leitores, decidi dar uma movimentada no blog e me aproximar um pouco mais de vocês, então, tive a ideia de criar a série “Experimente”, em que iriei indicar e comentar artistas que gosto e que acredito que ainda não são de grande conhecimento de um público mais massivo. Bem como, comentar como conheci os seus trabalhos e relatar algumas experiências com suas canções.

Para iniciar esta série, apresento, a quem ainda não conhece, a cantora britânica Nerina Pallot.


Minha primeira experiência com essa belíssima cantora foi em 2009. Comprei o primeiro disco solo da cantora Sandy, intitulado Manuscrito, a na ansiedade de conhecer quais os novos rumos que ela estava dando a sua carreira, me deparei com a canção Dias Iguais, logo de cara percebi que a canção havia sido feita em parceria com uma compositora que ainda não conhecia – mas tinha lido, em algumas resenhas e artigos pela internet, que Sandy havia convidado uma cantora estrangeira para participar do seu novo álbum –, era a Nerina Pallot.

Coloquei o disco no aparelho de som, e fui logo ouvindo a faixa que havia sido composta pelas duas cantoras. A canção iniciou, a primeira parte em português, cantada pela Sandy – muito bonita por sinal, já me surpreendi com a evolução da Sandy enquanto cantora/compositora –, quando ouvi a voz da tal cantora britânica... me apaixonei, era de uma suavidade tremenda, de uma potência e segurança invejáveis, aquela rouquidão doce me conquistou, bem como o sentimento expresso em sua interpretação, ímpar, singular.



Fui, então, procurar outras coisas dela, sua biografia, como surgiu, como descobriu o dom. Então, coletando informações, descobri que Nerina Natasha Giorgina Pallot, nasceu em Londres no ano de 1974, no entanto mudou-se muito nova para Jersey. Desde criança Nerina demonstrava aspiração para música, estudou piano e compôs sua primeira canção aos 13 anos de idade. Inspirada pela cantora Kate Bush, Nerina decidiu adentrar no universo da música, aos 27 anos lança seu primeiro disco, Dear Frustrated Superstar, pela gravadora Polydor Records, entretanto o álbum logo foi retirado das lojas e a cantora foi desvinculada da gravadora. Anos depois, até mesmo do lançamento do lançamento do segundo álbum da cantora, o disco foi reeditado e relançado, com algumas alterações em suas faixas.
Anos depois, em 2005, Nerina voltaria com um novo disco, Fires, desta vez, gravado por meio de um selo independente, Idaho, o que deu a artista total liberdade de criação e divulgação de suas canções, que foi muito bem aceito pelo público e pela crítica. Estaria emergindo uma das grandes revelações da Inglaterra nesse momento.


Em 2009 foi a vez do álbum The Graduate, que como Fire, é um álbum completamente autoral, em que Nerina desliza sua voz doce sobre arranjos sofisticadíssimos e letras belíssimas. O álbum foi bem aceito pela crítica e teve uma boa vendagem, embora alguns críticos questionassem o fato de que este disco se distanciava muito do anterior, a justificativa da cantora para isto ter acontecido não foi mais do que coerente, pois afirmou que não queria lançar uma segunda versão de Fire, mas, sim, um disco que mostrasse sua progressão enquanto compositora. Nerina divulgou o disco, lançou singles e, só dois anos depois, gravaria outro álbum.



Já 2011 foi um ano de grandes avanços na carreira da artista, com o lançamento de Year Of The Wolf, a cantora ganhou maior projeção na mídia, pois já era conhecida pelos álbuns anteriores. Lançou os singles Put Your Hands Up, Turn Me On Again e All Bets Are Off que se tornaram grandes sucessos. Sua participação, em 2009, no disco da cantora Sandy renderia frutos para sua carreira internacional, pois em 2010, Nerina viria ao Brasil gravar uma participação no DVD/CD, Manuscrito ao vivo, da cantora Sandy, no qual além cantar a música Dias Iguais, feita em parceira com a brasileira, cantou uma música de sua autoria, Idaho. Essa parceria lhe rendeu grande visibilidade dentre os brasileiros. Aproveitando sua vinda ao Brasil, Nerina Pellot fez seu primeiro show em terras tupiniquins, na casa de shows Bourbon Street Music Club, em São Paulo.



Nerina Pallot é o tipo de artista que encanta desde a primeira vez que você a escuta, dona de uma voz que ultrapassa a técnica – a qual domina muito bem –, pois toca a lama com sua sutileza, doçura e, não obstante, poderosa. Vale apena conferir o seu trabalho e se deliciar com o trabalho belo e primoroso da cantora.

Espero que tenham gostado da sugestão e que tenha sido prazeroso, como foi para mim, conhecer e ouvir Nerina Pallot.


Egberto Vital
04 de fevereiro de 2012


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