Eduardo e Mônica revisitada


O vloguer Gui Toledo surpreende os legionários com uma releitura contemporânea e muito bem-humorada para a música “Eduardo e Mônica” da banda Legião Urbana.
            A paródia, e diria mais do que isso, a retextualização da canção traz uma ideia de como seria a história do casal mais famoso da história do BRock nos dias atuais. De forma muito criativa o clipe criado por  Gui Toledo mostra como seria a saga de Eduardo e Mônica nos tempos em que a tecnologia influencia nas relações interpessoais. É divertido, inteligente e gostoso de assistir.
Vale muito a pena conferir:

video


Acompanhem o canal do Gui Toledo no Youtube >>>  Gui Toledo: Música e Humor

Meu novo livro: O "Admirável Mundo Novo" de Pitty: a crise de identidade do homem contemporâneo na virada do século


Ele é fruto do meu Trabalho de Conclusão de Curso e neste trabalho buscamos entender o Barroco como carrefour estético e cultural da literatura contemporânea brasileira. O que é muito evidenciado na obra da compositora Pitty é o seu diálogo com a estética literária do século XVII, não a retomando apenas em aspectos estruturais, mas dialogando com dilemas e vicissitudes que permeavam o descontrole existencial do homem dos “seiscentos”. Para isso, utilizamos como objeto de análise o álbum Admirável Chip Novo, lançado pela compositora no ano de 2004, visto que suas composições apresentam traços do Barroco que perfilam uma espécie de busca de identidade, característica da crise de sentido do homem contemporâneo, atentando para o fato de que a crise de sentido do homem da modernidade tardia centra-se na incerteza que ele traz sobre o que acontecerá com a identidade do homem após a evolução da inteligência artificial, surge daí o medo do homem ser substituído/superado pela máquina, assim, o ciborgue surge como a representação desses medos, visto sua natureza ambivalente, por ser um misto de matéria orgânica e máquina. Refletimos, então, sobre como o homem contemporâneo busca afirmar e aferir sua identidade enquanto indivíduo singular ante um contexto que vem pondo sua identidade em ruínas. Para compreender as conjunturas em que o homem contemporâneo está imerso, foi preciso uma revisão bibliográfica acerca da reflexão de teóricos sobre o homem na contemporaneidade e sua identidade, baseamo-nos, então, em obras de teóricos como: Stuart Hall (2006), Omar Clabrese (1999), Irlemar Chiampi (1998), Donna Haraway (2000), dentre outros.



O livro pode ser adquirido clicando aqui: "O 'Admirável Mundo Novo' de Pitty".

Lugar



Enquanto sai a fumaça do cigarro
Estou aqui
Transfigurando-me em cinzas
Vendo infinitas pedras
Nesta paisagem agreste
Tomada pelo caos cosmopolita
Dessa cidade urbana

Por entre antenas de celulares
E para-raios
Uma capela branca
Capela que guarda a virgem
Do credo popular

O som confortável do vento
O sol refletindo minha sombra
A pequena poça d’água
Que abriga o cururu ancestral

Das marcas e lodo nas pedras
Das pedras que me lembram a lua
Da lua cheia que paira no meu telhado
Do cheiro das bostas de gato

...não posso esquecer...

Do urubu que pousou em minha sorte
Nem daquela mosca
Que pousou em minha sopa

Tudo é tão singular nesse lugar
As vozes
As cores
O preto e o branco
O vermelho da abóbada
A orquestra de sapos e gias
No himeneu musical
Que toca em toda noite de chuva
A música ruim do rádio
A música boa do CD que eu coloco

Tudo, enfim

É melhor que Pasárgada
Perdoe-me, Bandeira,
Posso falar, pois já estive lá

As mulheres daqui
Não expõem suas partes
Mas também não escondem

Tudo aqui é só meu
Tudo nesse mundo
Da capela branca
Ao quarto em que durmo.




(Egberto Vital)
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