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Ao saudoso chapéu

O velho e querido chapéu de massa
De cor parda, azulada, preta ou branca
Que já foi um exímio galã de praça
Hoje sofre obsoleto e sem ter banca

Que outrora bem vestia-se de elegância
Foi pierrô, mestre-sala foi sambista
Contudo só lhe resta a esperança
De poder brilhar de volta as pistas

Vive hoje num cabide empoeirado
Lamentando sua injusta comuta
Em boné, touca ou óculos enviseirado

Quem não sente saudade do garboso
Servidor da calvície ou elegante
Não viveu tempos áureos auspiciosos.


(Nicola)

Brincadeiras Lúdicas

Minha tão doce casinha...
Toda de pau a pique 
Que ficava no mais alto
Do requinte
Da bela, tão bela vista
Hoje só me trás lembranças
De minha doce infância 
Quebrando todas nuances
Das coisas que a vida faz
Lembro-me de tuas portas
Coloridas como tais
Da biqueira que gemia
Em noites de vendavais
Dos jardins ao teu redor
Das flores das macambiras
Das meninas caipiras
Nas quermesses dos natais
Das lúdicas brincadeiras
Que o tempo, não nos trás
Ó, saudades de meu tempo de criança
Minha casa e seus quintais.


(Nicola)

Doce Propósito

A manhã...
Quando se perde o gosto de acordar.
Quando não existe mais interesse
E
Toda a dor se transforma
Em um desanimo excessivo
A voz não mais soa.
Há algo de irregular dentro de si.
Se for mais confortável estar adormecido.
Quando nada mais sente.
É melhor apagar de uma vez
E deixar as cinzas
Deixar o mais doce e natural propósito da vida fluir.


(John Wayne)

Amizade

Tenho um amor diferente...
Diferente de tudo
Que ouço, vejo ou digo.
Um amor de doces palavras
E leves sorrisos.
No peito do meu amor,
Acalanto.
No coração, um abrigo.
O meu amor diferente
É o nosso amor amigo.

(Vital Carvalho)

Ciclo Vital Autofágico

A mosca que pousa na merda

É a mesma que pousa na carne,

A carne que serve de aeroporto

É a mesma que serve de ninho

E nós comemos...

O cão que ladra na noite

É o mesmo que morde o ladrão,

O ladrão que corre no medo

É o mesmo que mede a vítima

E nós enterramos...

A ferida que abre na pele

É a mesma que abre no cérebro,

O cérebro que sente o desconforto

É o mesmo que sente o vinho

E nos comemos, nos enterramos.


(Pedro Brasil)

Ser Desventurado

Quem está acostumado a viver no amargo
Esquece o quanto é belo o doce
Afoga-se em mágoas e dorme atormentado
Procura um conforto , torna-se apatico
Pobre ser , morre aos poucos , pois não consegue ver o quanto está sendo tolo

Não vê saidas e afunda em um poço escuro e pegajoso
Um pântano de tristeza
Mórbida criatura , melancólica sensação
Talvez fosse um gênio , talvez amasse demais
Incompreendido ser , solitário no mundo
Tantas quedas o fizeram desistir , já está tão frágil , sensível e cansado
Admitiu a sua morte.
A morte é sua amiga e o fez refletir
Ele percebeu o quanto era importante e dotado de sentimentos ilustres
Agora a esperança o ronda , já não está mais tão desacreditado
Está aproveitando ao máximo , intensa gratificação
Aprendeu que uma simples escolha pode mudar tudo
Com uma visão ampla e a mente aberta
Ele pode voar para onde quiser agora.


(John Wayne)

Doce Virtude

Para sempre dormem aqueles que os sonhos já se foram
A essência virtuosamente brilha entre a ausência de todos
Um futuro incerto aflinge aqueles que a esse mundo não pertencem
E aqueles que a esse mundo não pertencem
São definitivamente abençoados.


(John Wayne)

Vigor Visceral

Estrada sem fim, como um abismo sereno.
Discreto aquele que esconde o seu terror em um sorriso singelo
Recitando e cantarolando por onde passa
Suas dores em forma de versos
Olhando para dentro de si, vê sua mórbida essência.
Fonte de inspiração, fonte de sua melancolia.
Veemente é sua escolha, entre a sorte solitária e a prospera semente que irá brotar em sua vida.
Relutante é quando se trata de suas vicissitudes tão infames
O conforto está longe e a busca é constante
Busca essa que o acorda que o faz dormir e que o faz praticar todos os seus atos de maneira categórica.
O medo não o importuna, a inércia o esmaga.
Vigorosos são aqueles que superam suas próprias desventuras.


(John Wayne)

O leigo

Nasceu com um código de barras
Cresceu manipulado como um produto
Viveu como um zumbi
E não se questionou, se algo estava errado

Acomodado como se estivesse dopado
Acreditava em uma fé cega
representava algo sem fundamento
Tão simplório quanto um bebê

Então chegou à terceira idade
resmungando o tempo todo
Que pena era tarde demais
Como um leigo a morte o levou

(John Wayne)
Este poema é de um grande amigo, retrata muito bem o momento em que nos encontramos.

O meu palhaço


Meu coração é um mísero acrobata
um palhaço sarcástico de arena,
gargalha sempre, de feição serena,
contrafazendo a mágoa que o maltrata.

Enquanto em riso a multidão desata,
as piruetas deste clown em cena,
ninguém descobre, na aparência amena,
a tragédia recôndita que o mata.

Mas eu me vingo deste pouco siso,
ao paradoxo do meu próprio riso,
porque a tragédia desse riso insano,

que me remorde e que a ninguém ausculta,
é irmã gêmea da tragédia oculta
que existe em todo coração humano.

(Silvino Olavo)



Poeta esperancense.

Meu Caminho


(Dedicado a Wellington Vital Pareira [LETO])

Contando passos, catando pedras
Bocejando algo, inventando regras
Sigo meu caminho só, ao sol...
Lagos cristalinos, rios pequeninos
Movem-se em harmonia.

E sigo meu caminho pensando
Penso no destino dos mortais
Destruído pelo egoísmo material
Esmagador dos valores humanos.

Meu caminho agora está florido
Sinto o cheiro das rosas no ar
O canto dos pássaros a voar
Na imensidão do espaço.

Na extensão do caminho
Encontro um menino
Ele me fala de amor, igualdade...
Sorrindo ao vento, fala-me
Dos encontros, encantos e desencontros
Que habitam a existência dos seres.

E seguimos eu e o menino...
Com o olhar perdido no horizonte
O menino pede que amemos a verdade
Pois assim teremos o trigo que nos dá o pão
A vida e a ETERNIDADE.

Extasiado, estático e inerte fiquei
Já não estava mais comigo o menino
E continuei seguindo meu caminho...

Apressando o passo, atirando pedras
Falando alto, abolindo regras.

(Vital Carvalho)


Este poema é de outra pessoa que também me serve de espelho, meu tio, foi a partir das leituras de seus poemas que descobri minha veia-poética. Ei-lo aí!

O Sentinela




O vermelho se espalha
Por toda a paisagem
Estrondos de canhões ardem
O ser vivente açoita.

E faz surgir o abismo
Limo no que foi formosura
Gritos, sufocos, gemidos
Choro na bela Alexandria.

E veloz tal qual um Pégaso
Um pássaro reluzente sobrevoa
Cortando o solo e o espaço
Nas fendas abertas da pátria.

Bravos fardados tombam
Em suas medalhas, ouro e prata
Em seus túmulos, mármore e bronze
Em seus corpos, nada.

Tristes memórias, um clarim toca
Num grande silêncio seus espíritos habitam
Nos alvos braços celestiais dormem
Velando está um sentinela.

(Andréa de Nicola)


Este poema é da pessoa que é meu espelho em tudo o que faço, minha Mãe, por isso decidi publicar ele neste blog.
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